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23 de Novembro de 2007. O Google atualizou seu banco de imagens. Agora temos imagens mais atuais.

 
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Expedição à Serra do Maranhão PDF Imprimir E-mail
Image22 de Novembro de 2007. Relato da expedição à Serra do Maranhão para mapeamentos de rotas alternativas de resgate para os vôos nesta região.

Partimos do Posto Colorado às 08h45min em direção a Planaltina de Goiás (Brasilinha). O tempo estava nublado e ameaçava chover. Haroldo e Donizete partiram com capa de chuva. Havia o receio de pegar trilhas de terra batida com muita chuva, isso seria problema para iniciantes como eu. Chegando a Brasilinha reabastecemos e partimos. A idéia era pegar a trilha que já havia sido feita pelo Haroldo e Donizete e buscar alternativas, voltando por Córrego Rico se possível. Vimos que a pista de terra estava relativamente seca. As motos levantavam poeira. Isso somado ao fato de que embora estivesse nublado fazia muito calor nos tranqüilizou quanto à pista escorregadia. Fomos em direção à Água Fria pela estrada de terra e a 10 km do trevo de asfalto, entramos na rota que o Haroldo e o Donizete já haviam feito.


Embora a estrada estivesse seca, algumas baixadas ainda guardavam água da chuva do dia anterior e numa dessas possas inofensivas o Donizete ao atravessar se desequilibrou devido às facas (buraco que as rodas dos carros fazem ao atravessar um terreno pouco firme ou com lama) submersas na poça de lama e quase, quase compra terreno na Serra. Mas os reflexos dele o ajudaram a retornar a posição vertical antes da compra.


Foi a primeira poça traiçoeira. Todos nós passamos patinando nesta poça. Pensávamos: eis o que nos espera, nem chegamos aos trechos difíceis e já tivemos que atravessar com a moto de lado. Ai, ai se começar a chover!
Começamos a subir a serra. Pista boa, inclinação alta mas não exagerada. Nos pontos mais altos o visual da Serra do Maranhão era compensador. As fotos que o Haroldo colocará no site confirmarão. Pouco a pouco ganhamos a confiança para irmos mais rápido.
Aproveitamos o percurso de subidas, descidas e curvas acentuadas com ribanceiras sem perdão para curtir além do visual, as próprias dificuldades do caminho e aprender a lidar com elas. Quem gosta de moto e off - road, sabe do que estou falando.
Vez ou outra cruzavamos com moradores locais de moto, cavalo, a pé mas, de carro não. Numa dessas passagens o Haroldo cumprimentou os nativos que passavam e perdeu a concentração para atravessar um trecho com faca e entrou na parte baixa que estava escorregadia. Era uma subida no morro e por sorte foi para a direção do barranco onde parou ao encostar. Sem queda, sem prejuízos.


Conversamos com os moradores em alguns pontos. O Haroldo tem uma memória muito boa, lembrou dos nomes e das conversas da viagem anterior há dois anos. Houve um trecho onde a chuva levou as toras que auxiliavam atravessar uma grota. Os moradores recolocaram apenas uma e nela é que atravessamos. Ficou a dúvida como é que seria se fosse necessário passar uma caminhonete para fazer o resgate. Acho que faz parte da aventura mas, é uma questão de cara ou coroa. Não se pode dizer com certeza como estará aquele trecho.
Por falar em toras para atravessar grotas, a maioria dos mata-burros que encontramos e em algumas pontes, as toras estão disposta no sentido da pista ou seja, tínhamos que equilibrar em uma das toras na travessia. Atravessamos uma ponte que tinha três toras para cada pneu e um vão de travessia de uns 5 metros. Era equilibrar em cima de uma das toras e não podia errar no equilíbrio pois o chão estava a uns 2 a 3 metros. Não podia haver erro nestas travessias senão a roda, principalmente a dianteira entraria no vão entre as toras ou simplesmente saia do “trilho” e aí, só Deus sabe como seria dali em diante.


Finalmente chegamos ao rio Maranhão. Embora não estivesse tão cheio quanto a última vez que o Haroldo e o Donizete o atravessaram, estava muito barrento. Para comparação, é só lembrar estes achocolatados. É isso ai. Essa era a aparência do rio. Não o atravessamos desta vez pois a idéia era conhecer novos caminhos. Atravessando a aventura estava perto do fim.


Soubemos de uma estrada a alguns quilômetros atrás que iria para Córrego Rico. Segundo os nativos, depois de um trecho até Macaúba, a estrada estaria zerada, “patrolada” e sem erros para Córrego Rico. Hehe, não leve ao pé da letra o que dizem os nativos, Após Macaúba encontramos morros com pistas muito inclinadas e cotovelos de curvas em cima destes morros e diversas bifurcações para várias fazendas. As motos subiam jogando cascalho para traz, de primeira ou no máximo de segunda marcha. Foi legal para aprender mais um pouco e pegar o jeito.


Seguimos por ela passarmos pelo povoado de Macaúba. Povoado? Só tinha umas três casas. Eu heim. Na saída do povoado, um pequeno córrego. Até aí tudo bem. Na saída é que se encontrava mais um atoleiro, inclinado, bem inclinado. Acho que era alguma nascente que passava naquela subida. Donizete tentou passar mas empurrando. Era lama, escorregadia e numa subida inclinada. Não conseguiu. Tivemos que ajudar empurrando a moto. Depois foi o Haroldo. Tentou subir sem ajuda em cima da moto. As motos não estavam com pneu apropriado e precisou ser empurrado. A moto não subia. Depois eu fui. Montado, pé no chão Donizete ajudando empurrando e eu acelerando em cima da moto e a moto subindo atravessada nas facas da subida.
À esta altura estávamos saindo da parte sul da Serra do Maranhão e indo para a parte Norte/Nordeste. Neste pedaço da serra, uma coisa interessante: Muitos morros altos e inclinados e nenhuma área para pouso, nenhuma a não ser no topo dos morros. Havia pistas cobrindo a maioria dos morros, estas pistas iam para fazendas mas é engraçado, na parte sul onde há mais possibilidade de pouso não há tantas estradas assim. Onde estávamos, em morros altos e íngremes, sem possibilidade de pouso, muitas estradas.
Fica o conselho, se for atravessar a Serra do Maranhão, pelo norte tem que se garantir, é uma travessia sem perdão. Se precisar pousar, o resgate pode te achar mais fácil mas, o pouso é complicado.


Se for pelo lado sul da Serra, os morros existem mas, tem mais áreas de pouso. Porém, como tem menos estradas, o resgate pode ter dificuldades em chegar onde você pousar. Vai ter que tomar um cafezinho na sede da fazenda mais perto e orientar o resgate.
Continuando, chegamos a uma trilha que eu já havia percorrido anteriormente e retornamos para Brasilinha. Saímos no mesmo local onde entramos, a 10 quilômetros do segundo balão de Água Fria. O track das trilhas está neste site.
Nem todas as trilhas marcadas são garantia de passar carro mas são todas caminhos possíveis para resgate. É imprescindível um carro 4x4 alto para atravessar certos trechos, portanto, se for atravessar a serra, se garanta com um carro de resgate apropriado.
Para finalizar a aventura, quando estávamos voltando para Brasilinha, minha moto mooorréu. Pensei ser a gasolina indo para a reserva mas não. A moto morria quando era acelerada. Sintomas de giclê de alta entupido. Acionei o afogador e fomos até o posto Itiquira em Planaltina DF. Aguardamos a caminhonete do Haroldo para levar a moto embora visto que na subida ela não tinha como imprimir velocidade e a volta ficaria perigosa. Já verifiquei. Era mesmo o giclê de alta entupido. Que coisa, ainda bem que estava praticamente em Brasilinha e não no meio dos morros íngremes.


Até onde levantamos, a travessia do rio, segundo os nativos, só é possível pelo ponto onde o Haroldo já atravessou. Mas mesmo lá, somente com caminhonete, nada de carro baixo e tem que tatear para não ir para o lado fundo por que aí, nem caminhonete atravessa. Mas mesmo assim vamos verificar outras pistas em outra oportunidade.
Há também a idéia de fazermos uma excursão aquática pelo rio, de barco inflável e com previsão de acampar no caminho visto que o trajeto é deveras longo. Nesta excursão poderíamos mapear qualquer outra possível travessia no caminho.
Se as trilhas mapeadas não servirem para a maioria dos carros fazerem o resgate, ao menos irão ajudar aos pilotos que pousarem na serra do maranhão a não virarem lenda.


A expedição foi excelente, ótimas paisagens, dificuldades na medida, sem incidentes. Percorremos um caminho que junta duas trilhas já mapeadas, a do Haroldo e a minha atravessando o centro da Serra do Maranhão, embora sem atravessar o rio.
Aprendi um pouco mais com a minha moto, enfim, todos saíram satisfeitos. Quem não foi, perdeu esta. Mas vamos propor outras. Há outras trilhas mapeadas pelo Google e iremos fazer novas incursões.

Até a próxima.

Rafael.

 
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