 14 de Agosto de 2008. É galera, a condição já estava bala fazia uns dois dias, então fizemos uma barca e fomos pro vôo.
Eu, Max, Pablo, Charles e uma turma de gringos que está por aqui. O Vento estava nordeste, com uma deriva clara na direção de Ipatinga, mas poucas formações naquela direção, então resolvemos mandar o vôo pra Caratinga. Fui o primeiro a decolar com o Max e acabei ficando baixo já contornando a Santa. Depois de um tempo pra recuperar, consegui a primeira base e tirei na direção de Era Nova. O Max se atrasou nas primeiras transições e acabou ficando perto do Monza, deu mole. Charles e Pablo já haviam decolado e a condição continuava excepcional para o vôo, então taquei o pé no acelerador e fiz transições muito rápidas até Engenheiro Caldas. A essa altura o Charlinho também ficou no Monza e o Pablo seguiu na perseguição. Em Engenheiro gastei um tempo para pular para a cordilheira, onde estava uma pancadaria só. Outra transição e já estava em Taruaçu, onde tive que penar até acertar uma boa. Novas transições rápidas até o trevo de Iapu, onde o vento deitou de través, com deriva de quase 90 graus com a rota pretendida. Resolvo insistir na rota para Caratinga, mas adoto uma estratégia mais conservadora, quando na base tocava no contra-vento da nuvem para me posicionar melhor para a próxima transição de través. Com isso o vôo fica mais lento e o Pablo que vinha babando na cola acabou chegando em Inhapim. Até o Aeroporto de Caratinga eu ainda insistia em buscar o contra-vento, agora na esperança de pegar a cordilheira de Caratinga à esquerda do asfalto e dar o salto na direção do trevo de Realeza, eram 15:30 e as chances eram boas. Pablo resolveu continuar na linha à direita do asfalto e saiu na frente. A termal que peguei no Aeroporto já indicava que o vôo não renderia muito mais, o vento já fazia quase 90 graus com a rota e a deriva acabou me jogando pra direita de Caratinga também. Insistir em pular pra cordilheira seria ruim a esta altura, então sobrou tentar sobreviver com a deriva de través forte sem perder o contato com a BR 116. Pablo já estava um pouco à frente e seguimos ainda uns 15-20kms depois de Caratinga. Pouso às 16:30, em Santa Bárbara do Leste, 120kms, com pelo menos mais uma hora de vôo pela frente. Caso o vento estivesse alinhado com a rota não tenho dúvidas de que teríamos conseguido mais uns 40-60 kms fácil. A nota é que o Pablo tava estreando vela nova e mandou esse vôo de cara. Foi muito bonito a gente atacar Caratinga estampados, 15h30, com sobra.
Vôos no XC Brasil: http://www.xcbrasil.org
Grande abraço,
Ney Murtha PS. Esse vôo eu queria dedicar aos amigos Branco e Jefão. |